Francisco Fialho

Recordo, com sentimento, a personalidade de Francisco Fialho, que o destino fez voltar para a Espiritualidade contando somente 44 anos.

Pela inteligência, capacidade para iniciativas e coragem para trabalhar, e mais as virtudes que possuía, teria produzido bastante, daquilo que realizou, se mais anos tivesse vivido.

Profissionalmente e por muito tempo, explorou o comércio de representações com as maiores provas de caráter. O seu escritório teve vida próspera.

Finalmente, rendeu-se diante da realidade. E passou a adotar, com elevada convicção, aquilo que desacreditara, tornando-se o mais fiel, o mais digno e o mais produtivo discípulo da aludida Doutrina Espírita.

Fundou e manteve o Grupo Espírita "Dr. Manoel Antônio da Cruz", no bairro de Jaraguá, na Praça Rayol em Maceió - Alagoas.

Interpretando bem uma das finalidades da Doutrina que esposava, criou a Escola "Santo Ambrósio", que funcionava na parte térrea do Grupo. Fialho supria a Escola, dando-lhe professores, livros e material didático.

O jornal espírita "A Luz", que ainda circula, anteriormente passou para o controle de Francisco Fialho. Em tamanho quase normal de outros jornais, embora com quatro páginas, circulava todos os sábados. Nada se pagava para ser lido, e hoje da mesma forma. Era composto e impresso em oficina própria. Mão-de-obra, papel e tinta, tudo sob as expensas de Fialho, igualmente funcionando no prédio do citado Grupo.

Fialho possuía, em "conta-própria", uma excelente representação de charque. Em 1926 abateu-se, caindo em Jaraguá, uma formidável tromba-d' água. E nessa ocasião, o depósito do Escritório estava abarrotado daquele alimento, a ser vendido aos seus clientes.

A tromba-d' água caiu pela noite. E Francisco Fialho, buscando confrades mais íntimos, entrou pela madrugada, distribuindo charque às pessoa pobres daquele bairro, esgotando todo o estoque do referido produto.

Na área propriamente espírita, há belos casos passados na vida do biografado, dignos de admiração. Conheço alguns, mas são apropriados para serem publicados em jornais essencialmente espíritas.

Com aqueles muitos fardos de charque distribuídos com tantas famílias pobres, Fialho teve que pagar muito dinheiro à charqueada de sua representação.

Pagou de dinheiro, na época, algumas centenas de contos de réis, porém ganhou milhares de moedas cunhadas na Espiritualidade, doação da Justiça Divina.

Francisco Fialho foi uma das melhores amizades que conquistei no seio da família espírita alagoana. Entretanto, o convívio durou pouco, porque quando eu "cheguei" e comecei a estimá-lo, ele já estava "voltando".

Transcrito do " Jornal de Hoje ",
de 03/07/1989,por Adherbal de Arecippo

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