
Manoel Philomeno de Miranda
Excertos da biografia de Manoel Philomeno de Miranda por A. M. Cardoso e Silva:
Manoel Philomeno de Miranda nasceu aos quatorze dias do mês de novembro de 1876, no lugar chamado "Jangada", município do Conde, no Estado da Bahia, sendo seus pais Manoel Batista de Miranda e Dona Umbelina Maria da Conceição.
Convertido ao Espiritismo na cidade de Alagoinhas pelo "médium" Saturnino Favila, em 1914, que o curou de grava enfermidade, por essa época conheceu José Petitinga, na Capital, com o qual, pouco depois, estabeleceu relações, começando a freqüentar as sessões da União Espírita Bahiana, recentemente fundada, em 1915.
Fiel discípulo de José Petitinga, tinha do mesmo "em tomo segundo", no dizer de Leopoldo machado - que de sobra o conheceu - a maneira, o estilo especial de tratar e doutrinar os assistentes das sessões da "União", sempre cheia de ouvintes interessados e curiosos das lições espiritísticas de Miranda,baseadas sempre e infalivelmente num magistral versículo evangélico.
Em 1918, Manuel Philomeno de Miranda era um dos mais assíduos freqüentadores, interessado superiormente nos assuntos doutrinários do Espiritismo e um dos mais firmes adeptos dos seus ensinos. Estava traçada a sua linda trajetória de discípulo fiel...
Foi eleito 2° Secretário da "União" em abril de 1921; 1° Secretário na eleição social do domingo, 22 de janeiro de 1922, presidindo a primeira sessão como presidente eleito pela Assembléia Geral, em 27 de abril de 1939, pela desencarnação de José Petitinga, sendo reeleito para um novo exercício que não terminou.
Durante este longo período de tirocínio espírita, Miranda foi um baluarte do Espiritismo, não só na "União" como em toda parte. Onde estivesse, aí estaria a doutrina e sua propaganda exercida com a proficiência de um douto, um abnegado - lhano, dedicado no trato, mas heróico na luta, polido e seguro na destruição dos ataques soezes, das arremetidas baixas ou grandíloquas contra os ensinos luminosos do Consolador.
A sua enorme modéstia não lhe permitiu a produção de uma Obra que o destacasse entre os irmãos encarnados. Não queria sobressair-se na Terra, talvez porque agora tendo acertado, esteja luzindo qual um sol na Eternidade, para aclarar melhor os "prisioneiros da carne". Os trabalhos que escreveu, "Resenha do Espiritismo na Bahia" e "Excertos que justificam o Espiritismo", publicou-os sem o seu nome. O 1° pelo 25° aniversário da União Espírita Bahiana, em 23 de dezembro de 1940, e o 2° em fins de 1941. Em 1931 já havia Miranda publicado um opúsculo "Porque sou Espírita" em resposta ao Ver. Padre Humberto Rohden.
Além de todos os trabalhos da "União", incansável presidia também as sessões mediúnicas e trabalhos do Grupo Fraternidade, que se reunia em sua residência, à rua Direita de Santo Antônio n° 45, visitando ainda outros grupos e sociedades, inclusive uma em Alagoinhas.
Sofrendo horrivelmente do coração, subia inúmeras escadas a fim de não faltar às sessões, sorrindo e sempre animado quando os Espíritos, conhecedores do seu melindroso estado, recomendavam-lhe o máximo de repouso, diziam-lhe que me entregasse os trabalhos. Mas ele, impávido, replicava que era seu dever.
Queria extinguir-se no seu cumprimento. Sentia imensa alegria em dar os seus últimos dias ao serviço do Cristo!... Não deixaria jamais de subir aquelas escadas enquanto tivesse forças...
Sou depositário das suas últimas palavras a respeito de tal resolução.
"Agora, som! Não vou porque não posso mais. Estou satisfeito porque cumpri meu dever. Fiz o que pude... o que me foi possível. Tome conta dos trabalhos, conforme já determinei."
Era na antevéspera do seu desenlace.
O seu desprendimento deu-se precisamente 21:40' de 14 de julho de 1942, efetuando-se o enterramento com grande acompanhamento, no dia seguinte às 16 horas.
Foi um abnegado do Espiritismo. Fiel discípulo da Seara do Mestre, e queridíssimo de quantos o conheceram, porque, quem o conhecia, não podia deixar de estimá-lo.
Imitemos o seu exemplo. Até o último instante demonstrou a maior firmeza da tranqüilidade dos justos, proclamando e testemunhando a grandeza imortal da Doutrina Espírita.
Salvador, 29.08.1942
Fonte: Site Mansão do Caminho